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Segundo a pediatra Isabel Gonçalves, são seis as crianças em lista de espera, incluindo uma que está a ser seguida em Espanha, para onde eram encaminhadas, desde a suspensão do programa nacional, em julho de 2011.
"Nenhum dos casos é extremamente urgente, há uma criança em Espanha que estão a fazer avaliação e que é a que nos preocupa. Vamos ver se será transferida ou se ainda terá algum órgão lá", disse a médica, numa conferência de imprensa, no HPC.
O programa foi hoje reativado e até 15 de março serão criadas as condições para o início dos primeiros transplantes, no HPC, sob a liderança de Emanuel Furtado, até agora o único cirurgião especializado nesta área em Portugal, e que, com a sua saída para uma outra unidade hospitalar de Coimbra motivara a suspensão dos transplantes no país.
"O importante para o país é que, a partir de agora, temos um centro onde as coisas podem ser feitas com toda a linearidade, vamos criar as condições para que haja uma continuidade, uma equipa com capacidade duradoura", disse o secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde, Leal da Costa, frisando estar "em condições de garantir que tudo fará para que não aconteça" o que se verificou no passado - a suspensão do programa, por depender de um único especialista, e encaminhamento dos doentes para Espanha.
Leal da Costa garantiu "está tudo definido: as crianças serão operadas no HPC, podendo, numa fase transitória, sê-lo nos Hospital da Universidade de Coimbra (HUC)".
Questionado sobre a eventualidade de vir a ser criado um segundo centro, em Lisboa ou no Porto, o governante disse que, "para já, o importante é ter (o de) Coimbra a funcionar".
O centro de transplantes hepáticos pediátricos de Coimbra terá "toda a autonomia que precisar" e ao cirurgião serão dadas as "condições que considera essenciais, para poder formar a sua equipa", acrescentou.
Emanuel Furtado colocava como "condição sine qua non" o afastamento do atual diretor do serviço de transplantação hepática (adultos) dos HUC, Fernando Oliveira, mas, hoje, nem ele, nem o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (no qual os HUC e o HPC estão inseridos), ou o secretário de estado quiseram esclarecer o assunto.
O cirurgião disse, contudo, que "não irá trabalhar" com Fernando Oliveira, e anunciou que irá formar novas equipas de cirurgiões.
"O processo (de transplantes) não parará, essa é a minha intenção e sempre foi", assegurou, referindo que "o que mudou foi a vontade de todos os responsáveis em criar condições, nomeadamente a possibilidade de recrutar outros cirurgiões".
Em 2011 foram transplantadas nove crianças portuguesas, quatro em Espanha e cinco em Coimbra (até junho).
Lusa